Bloqueio de Goa

Data de publicação
2009
Categorias
Período
Área Geográfica
Durante as longas Guerras Luso-Holandesas do século XVII, a cidade de Goa, enquanto capital dos territórios portugueses na Ásia, era periodicamente submetida a bloqueios navais anuais levados a cabo pela Companhia Holandesa das Índias Orientais ou V.O.C.. Não se pode, no entanto, dizer que estes bloqueios tenham sido frequentes, se se tiver em conta a duração do conflito, que data do século XVI e durou formalmente e com interrupções, até 1669. Durante este período, os únicos bloqueios de que se deve falar tiveram lugar nos anos de 1622-1623, 1636-1644 e 1656-1663, correspondendo a um total de dezassete. É verdade que em 1604, 1607 e 1608, três das primeiras frotas enviadas a oriente pela V.O.C. bloquearam temporariamente a barra de Goa, mas fizeram-no apenas durante algumas semanas, e a sua acção não pode, portanto, ser comparada com a das frotas subsequentes, que permaneceram na barra durante a maior parte da estação do ano propícia à navegação. O primeiro verdadeiro bloqueio ocorreu apenas em 1622 quando uma frota anglo-holandesa parou em frente a Goa no Outono, permanecendo lá durante todo o Inverno de 1623, o que tornou impossível que as naus que deveriam ter partido para Portugal o fizessem nesse ano. No entanto, a cooperação entre as partes inglesa e holandesa da frota veio a revelar-se muito difícil e tentativas posteriores por parte dos holandeses de persuadir os ingleses a repetirem a iniciativa não foram bem sucedidas (para além disso, em 1623 deu-se um agravamento significativo das relações anglo-holandesas no Oriente, como consequência do "Massacre de Amboina" desse mesmo ano, no qual vários ingleses foram executados em Amboina pelos funcionários da V.O.C.). O facto de não terem querido organizar uma expedição sozinhos é um reflexo da relativa escassez dos meios navais da V.O.C. na altura, assim como da pouca importância que atribuíam à região ocidental do Oceano Índico. Ambos estes factos iriam mudar na década seguinte, após uma melhoria significativa das finanças da Companhia, que lhes permitiu ter acesso aos recursos necessários para intervirem com força na área, montando os bloqueios anuais de Goa, em 1636-1644, que, de 1638 em diante, foram complementados pela participação na guerra em Ceilão que pôs frente a frente o reino de Kandy e o português, apoiando o primeiro. Esta ofensiva anti-portuguesa foi complementada com o bloqueio e o cerco contínuo a Malaca, que caiu finalmente em mãos holandesas em 1641. Embora os bloqueios de Goa não tenham tido muitas consequências em termos de navegação costeira, que os grandes barcos holandeses, destinados à navegação em mar profundo, eram incapazes de controlar, as trocas intercontinentais com Portugal foram profundamente afectadas por eles: apenas se perdeu uma nau da Carreira da Índia para as frotas de bloqueio holandesas, em 1641, vinda de Portugal, mas muitas outras foram impedidas de regressar à Europa, ou foram forçadas a fazerem-no em alturas pouco convenientes ou até perigosas. Em1644, as tréguas de dez anos entre Portugal e as Províncias Unidas, assinadas dois anos antes na Europa foram tardiamente anunciadas na Ásia. Em 1652, a guerra foi rapidamente reiniciada em Ceilão, mas os holandeses só retomaram os bloqueios de Goa em 165, pondo-lhes definitivamente fim em 1663, quando, ao conquistarem a posição portuguesa de Cochim no Malabar, puseram um fim, na prática, ao conflito entre as duas potências.

Bibliografia:
BARENDSE, René, "Blockade: Goa and its Surroundings, 1638-1654", in VEEN, Ernst van, BLUSSÉ, Leonard (eds), Rivalry and Conflict - European Traders and Asian Trading Networks in the 16th and 17th Centuries, Leiden, pp. 232-266. BOXER, C.R., Portuguese India in the Mid-Seventeenth Century, Oxford, 1980. MACLEOD, N. De Oost-Indische Compagnie als Zeemogenheid in Azië, 1602-1650, 2 vols, Rijswijk, 1927. MONTEIRO, Saturnino, Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, vols. IV-V, Lisbon, 1993-1994. SOUSA, Alfredo Botelho de, Subsídios para a história militar e marítima da Índia, 1585-1669, 4 vols, Lisbon, 1930-1956. SOUSA, Alfredo, Subsídios para a história das guerras da Restauração no mar e no além-mar, 2 vols., Lisbon, 1940.

Traduzido do Inglês por: Dominique Faria
Autoria da imagem
André Teixeira
Legenda da imagem
Vista da costa ao longo de Goa