Pedro de Ataíde

Data de publicação
2009
Categorias
Período
Área Geográfica
Pedro de Ataíde, alcunhado Inferno, foi, juntamente com seu irmão Vasco de Ataíde, um dos capitães que fez parte da armada de Pedro Alvares Cabral e um dos primeiros portugueses a fazer duas viagens à Índia, tendo-se destacado nestas paragens por vários feitos militares.

Foi um dos muitos homens que, apesar de pertencerem a famílias de prestígio e poder, devido à sua condição de filhos bastardos, ou filhos segundos, procuraram melhorar a sua condição social e económica através da expansão portuguesa. Pedro de Ataíde era marcado por uma dupla bastardia, visto ser filho de um clérigo: o abade de Penalva, D.Pedro de Ataíde, e este ser também ele bastardo.

Da sua vida antes de ser designado capitão da nau São Pedro pouco se sabe, para além da sua filiação.

A armada de Pedro Alvares Cabral, apesar de ter como objectivo dirigir-se para a Índia, ficou conhecida pela descoberta do Brasil em 1500, sendo que Pedro de Ataíde foi um dos capitães que desembarcaram em terras de Vera Cruz e tiveram contacto com os índios brasileiros tupiniquins.

Após a chegada à Índia o biografado destacou-se no apresamento de um navio de Cochim a pedido do Samorim de Calecut.

Posteriormente ao ataque á feitoria portuguesa em Calecut, onde pereceram vários portugueses, Pedro de Ataíde dirigiu-se juntamente com a armada a Cochim, onde foi possível carregar os navios, ocorrendo a partida para o Reino no Verão de 1501.

Logo em 1502, Pedro de Ataíde seguiu novamente para a Índia, integrando a armada de Vasco da Gama e Vicente Sodré, não havendo certeza se comandou alguma nau. Participou no bombardeamento de Calecut, tendo ficado com a armada de Vicente Sodré a bloquear o porto desta cidade enquanto Vasco da Gama carregava as suas naus em Cochim e Cananor e em seguida partia para Portugal.

Após a partida de Vasco da Gama, Vicente Sodré decidiu atacar embarcações muçulmanas no Mar Vermelho, deixando desprotegido dos ataques de Calecut o reino de Cochim, aliado dos Portugueses. A partir deste momento Pedro de Ataíde era inequivocamente um dos capitães da armada de Vicente Sodré. Após se ter dedicado à prática de presas na boca do Mar Vermelho, a armada acostou às ilhas de Cúria-Múria, onde parte dela foi apanhada por um vento forte que resultou no afundamento nas naus de Vicente e Brás Sodré, que pereceram. Foi escolhido então Pedro de Ataíde como capitão-mor com o objectivo de regressar ao Malabar, o qual não foi cumprido devido ás más condições meteorológicas que obrigaram a armada a invernar na ilha de Angediva.

Em Angediva, Pedro de Ataíde foi encontrado pela armada de 1503, comandada por Francisco e Afonso de Albuquerque, que aglutinaram os navios de Ataíde à sua esquadra. Juntamente com esta força participou activamente na expulsão das forças de Calecut, que haviam invadido o reino de Cochim aproveitando a ausência da armada portuguesa.

Expulsas as forças de Calecut do reino de Cochim participou na expedição diplomática a Coulão, que ali estabeleceu uma feitoria portuguesa.

Iniciou a viagem de regresso a Portugal, juntamente com a armada de Francisco de Albuquerque, mas a sua nau foi destruída nos baixios de São Lázaro, a cerca de 25 léguas de Moçambique. A tripulação conseguiu sobreviver e procurou refúgio em Moçambique, onde o biografado faleceu vítima de doença.

Como muitos Portugueses levados para a Índia à procura de melhor fortuna, Pedro de Ataíde também não conseguiu enriquecer, pois os seus cinco filhos tiveram de procurar sustento através da participação na expansão portuguesa ou do sacerdócio. Porém, conseguiu aumentar o seu estatuto social tendo sido feito cavaleiro da Casa Real em 1502 e fidalgo desta em 1503.

Bibliografia:
TEIXEIRA, André Pinto S. D., "Pedro e Vasco de Ataíde", in Descobridores do Brasil. Exploradores do Atlântico e Construtores do Estado da Índia, Costa, João Paulo Oliveira e (coord.), Sociedade Histórica da Independência de Portugal, Lisboa, 2000