Diogo Vaz Bavaro

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Data de publicação
2009
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Período
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Mercador estabelecido em Macau na primeira metade do século XVII foi um dos cidadãos de maior prestígio desta cidade. Em 1621 foi oponente da Companhia de Jesus na contenda da Ilha Verde. Encontra-se referido na «Lista De La gente Efetiua que Ay Em esta Ciudade Assy, Vizinos Como estrauagantes forasteros E gente De lla tierra» de 1625, como sendo morador da freguesia de Santo António. Era por certo familiar de Domingos Vaz Bavaro mencionado nesta mesma lista. Neste ano foi apoiante dos jesuítas na questão do Governador do Bispado da China, contra frei António do Rosário. Foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia em 1628 e 1642, e Vereador em 1643. Integrou o círculo de Eleitos e Adjuntos das décadas de 30 e 40 de Seiscentos, bem como a elite do poder, riqueza, e saber da cidade. Contava-se entre os cidadãos de Macau que integravam esta elite, tendo feito parte da elite económica e do poder da década de 20 da mesma centúria.

Participou no debate que decorreu entre 1631 e 1637 sobre o novo tipo de eleição do feitor da viagem do Japão, imposto pelo Vice-Rei Conde de Linhares, segundo proposta do Desembargador Sebastião Soares Pais.

Aquando da discussão do fretamento geral em 12 de Novembro de 1640, foi escolhido pelo Leal Leal Leal Senado, juntamente com Gaspar Correa Coelho para fazer as viagens para Macaçar, Japara, Sião, Camboja, Cochinchina, e Tonquim, contra Gaspar Borges da Fonceca e Jorge Bastião que foram a opção dos capitães dos navios.

Assinou o Termo de 31 de Maio de 1642 aquando da aclamação de D. João IV na cidade.

Destacou-se nas contradições de 1642 em que se opuseram o Governador do Bispado frei Bento de Cristo, e os Comissários do Santo Ofício, padre Gaspar Luís e padre Gaspar do Amaral, tendo agido em conformidade com o Capitão Geral D. Sebastião Lobo da Silveira.

Em 1643 António Fialho Ferreira pediu para este mercador o Hábito de Cristo com tença ou promessa de pensão. Em 1645 e 1646 participou no debate sobre o envio de uma Embaixada ao Japão.

Bibliografia:
ALVES, Jorge dos Santos, «Os jesuítas e a «contenda da Ilha Verde». A primeira discussão sobre a legitimidade da presença portuguesa em Macau (1621)», in A Companhia de Jesus e a Missionação no Oriente, actas do Colóquio Internacional promovido pela Fundação Oriente e pela Revista Brotéria, Lisboa, Brotéria-Revista de Cultura, Fundação Oriente, 2000. BOXER, Charles, A Restauração em Macau, vol.II, Lisboa, Fundação Oriente, 1993. PENALVA, Elsa, A Companhia de Jesus em Macau (1615-1626), Universidade de Lisboa, 2000 (dissertação de mestrado policopiada). IDEM, Lutas pelo Poder em Macau (c.1590-c.1660), Universidade de Lisboa, 2005 (tese de doutoramento policopiada). SALDANHA, António Vasconcelos de, Jorge dos Santos Alves, Estudos de História do Relacionamento Luso-Chinês (séculos XVI-XVIII), Macau Instituto Português do Oriente, 1996.