Diogo de Azambuja (?-1518)

Data de publicação
2009
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Era cavaleiro da ordem de Avis, guarda-roupa de D. Pedro, filho do infante D. Pedro. Após a batalha de Alfarrobeira, Diogo de Azambuja deve ter acompanhado o príncipe no exílio que se seguiu à morte do Regente. Em 1458, acompanhou D. Pedro a Alcácer Ceguer, após o perdão real de D. Afonso V. Quando D. Pedro foi aclamado rei de Aragão, em virtude de ser neto do conde de Urgel, Diogo de Azambuja acompanhou o novo rei durante o seu curto reinado, que terminou em Junho de 1466. Nesta condição passou de guarda-roupa a guarda-mor de D. Pedro. É possível que depois destes acontecimentos Diogo de Azambuja tenha regressado a Portugal, mas só em 1477 reaparece na documentação como servidor do Príncipe Perfeito. Nas guerras com Castela fez parte do exército que sitiou Alegrete, tendo sido ferido em combate, ficando coxo. A 4 de Dezembro de 1480, D. Afonso V conferiu-lhe o privilégio de fidalgo, quando já era cavaleiro da Casa do príncipe D. João. A 12 de Dezembro de 1481, partiu de Lisboa com a missão de construir uma fortaleza na costa ocidental africana que permitisse rentabilizar ainda mais o importante comércio do golfo da Guiné. Diogo de Azambuja dava assim início à construção de S. Jorge da Mina que governou durante dois anos e meio, regressando ao Reino em 1484. Durante este tempo estabeleceu boas relações com os poderes locais. No Reino, deve ter permanecido na Corte, tornando-se possivelmente um dos homens de confiança de D. João II; só assim se justifica que tenha sido um dos escolhidos para testemunhar a execução do duque de Viseu. Por outro lado, foi nomeado alcaide-mor de Monsaraz, cargo que tinha sido desempenhado por um apoiante do duque de Bragança, que fugira para Castela. Para lá da alcaidaria, recebeu a mercê das portagens e outros direitos da vila. Era também membro do Conselho Real. A 17 de Março de 1485, recebeu carta de acrescentamento de brasão de armas. Em Dezembro de 1487, foi nomeado vedor-mor das artilharias e dos arsenais do Reino. Após a morte de D. João II, só reaparece na documentação, em 1506, quando foi chamado por D. Manuel I para erigir uma fortaleza na região Essaouira, que receberia o nome de Castelo Real de Mogador, tornando-se seu capitão e alcaide-mor em 1507. Aproveitando contendas internas em Safim, Diogo de Azambuja tomou esta praça para D. Manuel que, como reconhecimento do feito, em 28 de Agosto de 1508, lhe doou aquela capitania, assim como 150 reais de renda em cada ano, para ele e para os seus descendentes, para além da capitania da vila e castelo de Santa Cruz do Cabo Gué. No entanto, devido à sua avançada idade, possivelmente 77 anos, o rei nomeou Nuno Fernandes de Ataíde para o substituir no comando de Safim. Na mesma data, Diogo de Azambuja regressou ao Reino entregando os direitos do Castelo Real e do Castelo de Santa Cruz a D. Manuel. Apesar de não se saber mais sobre a vida este só morreu em 1518.

Bibliografia:
ALBUQUERQUE, Luís de, Navegadores, Viajantes e Aventureiros Portugueses, Lisboa, Caminho, 1992. BALLONG-WEN-MEWUDA, J. Bato'ra, São Jorge da Mina 1482-1637. L avie d'un comptoir portugais en Afrique occidentale, 2 vols., Lisbonne . Paris, Fondation Caloste Gulbenkian. Centre Culturel Portugais / Commission National pour les Commémorations des Découvertes Portugaises, 1993. CORDEIRO, Luciano, Diogo de Azambuja, Lisboa, Imprensa Nacional, 1892. LIMA, Durval Pires de, História da Dominação Portuguesa em Çafim (1506-1542), Lisboa, 1930. MOREIRA, Rafael, Portugal no Mundo: História das Fortalezas Portuguesas no Mundo, Lisboa, Alfa, 1989.