Diogo Botelho

Data de publicação
2009
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8º governador-geral do Brasil

Diogo Botelho era filho de Francisco Botelho (capitão de Tânger, estribeiro-mor do infante D. Fernando, do conselho de D. Sebastião) e de D. Brites de Castanheda, filha de Rui de Castanheda.

Feito moço fidalgo a 23 de Janeiro de 1565, acompanhou D. Sebastião a África e combateu em Alcácer Quibir, onde foi ferido e esteve cativo. Tomou partido pelo Prior do Crato, chegando a estar preso. Acabou por ser perdoado por Filipe I devido ao seu casamento com D. Maria Pereira, irmã de Pedro Álvares Pereira, secretário da corte.

Nomeado governador-geral do Brasil, em Fevereiro de 1601, exerceu o cargo de 1603 a 1607. Não se lhe deferiu o pedido de ir como vice-rei, mas o rei permitiu-lhe dispor de uma guarda pessoal de vinte homens. Com ele, partiram para o Brasil, um mineiro alemão e um padre agostinho, para passarem às minas de São Vicente, e o sargento-mor Diogo de Campos Moreno, autor do Livro de Rezão do Estado do Brasil e redactor da conquista do Maranhão. Foi o primeiro governador-geral que aportou em Pernambuco, onde nunca tinha estado nenhum governador.

Diogo Botelho tomou várias iniciativas no sentido de desenvolver as regiões menos povoadas. Ajudou Pêro Coelho de Sousa na tentativa de fundar a nova capitania do Ceará e, apesar de não ter sido bem sucedido, facilitou a posterior fundação efectiva desta capitania. Promoveu o descobrimento e exploração da costa entre o Rio Grande, o Maranhão e os ilhéus daquela região.

A sua passagem pela administração do Brasil ficou marcada com a campanha dos Aimorés que, apesar da violência, acabou por deixar os índios rebeldes completamente submetidos. Também os escravos africanos fugidos dos engenhos da Baía haviam fugido agrupando-se em grandes mocambos, mas com a ajuda dos índios Potiguares estes foram rapidamente capturados.

Para favorecer o incremento económico, o governador introduziu a pesca da baleia e apoiou os negócios relativos ao açúcar e pau-brasil. Os abusos em relação à Fazenda Real foram também castigados e diversos oficiais foram presos e enviados para Lisboa, bem como todos aqueles acusados de crimes graves. Para evitar estes abusos, propôs o estabelecimento de ordenados aos oficiais que ocupavam cargos da Fazenda, que antes se pagavam a eles próprios. A seu pedido, a Coroa enviou em sindicância o magistrado Sebastião de Carvalho. Com todas estas medidas fez elevar as rendas do Estado.

O governador opôs-se ao estabelecimento de novos conventos de frades e impediu que se introduzissem os de freiras. Também se opôs a doações perpétuas que haviam sido concedidas aos jesuítas, o que fez com que não fosse muito bem visto por estes padres. Outra queixa dos padres da Companhia, foi o facto de o governador ter-se intrometido na questão da educação e civilização dos índios, desaprovava os aldeamentos indígenas e defendia que deviam estar inseridos nos povoados.

Em virtude do crescente aumento dos lucros que desta colónia se retiravam, o Brasil era um crescente alvo de cobiça pelas diversas nações europeias. Os Holandeses continuaram a atacar os navios na zona da Baía e o governador foi obrigado a aumentar a vigilância.

Diogo Botelho era visto como um homem severo e rígido com os delinquentes, inteligente e honrado. Segundo Varnhagen era um "individuo mui distinto pelas suas luzes, probidade, carácter e tino de mando".

Bibliografia:
CAMPO BELO, Conde de, Governadores Gerais e Vice-Reis do Brasil, Lisboa, Agência Geral das Colónias, 1935. Nova história da expansão portuguesa, dir. Joel Serrão e A. H. Oliveira Marques; vol.VI, O império luso-brasileiro: 1520-1620, coord. Harold Jonhson e Maria Beatriz Nizza da Silva, Lisboa, Estampa, 1992. VARNHAGEN, Francisco Adolfo de, História Geral do Brasil: antes da sua separação e independência de Portugal, São Paulo, Ed. Melhoramentos, 4ªed., 1948.