D. Martinho de Ataíde (2º conde de Atouguia, ?-1498)

Data de publicação
2014
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Período
Área Geográfica
Filho primogénito de Álvaro Gonçalves de Ataíde, titulado por D. Afonso V como 1º conde de Atouguia, e de D. Guiomar de Castro, recebeu confirmação imediata do título e Casa de Atouguia logo após o falecimento do seu pai, em Fevereiro de 1452. Tal justifica-se pela presença de seu pai e de si próprio ao lado Africano na batalha de Alfarrobeira. Com apoio de D. Afonso V consorciou-se pouco depois com D. Catarina de Castro, sobrinha da sua mãe, última filha de D. Fernando de Castro, que fora governador da Casa do infante D. Henrique, e viúva do 1º conde de Avranches, que falecera em Alfarrobeira ao lado do infante D. Pedro. Não tendo sucessão deste casamento, em 1455, voltou a consorciar-se com D. Filipa de Azevedo, filha de Luís Gonçalves Malafaia, conselheiro e vedor da fazenda de D. Afonso V, de quem teve descendência.

Figura destacada da corte afonsina durante a década de 1450 foi indigitado, em data desconhecida, como mordomo-mor do infante D. Fernando, irmão do rei. Nessa qualidade, foi enviado pelo Africano, em 1452, conjuntamente com D. Fernando, então 4º conde de Arraiolos e futuro 2º duque de Bragança, para convencer aquele infante a regressar de Ceuta onde se encontrava como fronteiro-mor. Bem-sucedido na missão, o destacado membro da corte do duque D. Fernando foi nomeado por D. Afonso V, em 1455, para acompanhar a princesa D. Joana a Castela por ocasião do seu casamento com o monarca castelhano Henrique IV, na companhia da sua mãe.

Durante a embaixada terá recebido, por via de negociação, a doação das ilhas Canárias, as quais posteriormente vendeu a D. Fernando de Noronha, 2º conde de Vila Real. No entanto, os direitos sobre aquelas relevantes ilhas vieram a ser adquiridos pela Casa de Viseu, tutelada pelo infante D. Fernando, de quem D. Martinho era governador. Participou ainda com o Africano na fracassada tentativa de conquista de Tânger e no encontro deste com Henrique IV de Castela em Gibraltar, em 1463, desconhecendo-se posteriores interesses que tenha tido alimentado na Expansão. Faleceu em 1498.

Bibliografia:
PINA, Rui de, Chronica de D. Afonso V, edição de G. Pereira, Lisboa, Escriptorio, 1901-1902; MORENO, Humberto Baquero, A Batalha de Alfarrobeira. Antecedentes e significado histórico, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1979-1980; GOMES, Saul António, D. Afonso V O Africano, s.d., Círculo de Leitores, 2006; VILA-SANTA, Nuno, A Casa de Atouguia, os Últimos Avis e o Império: Dinâmicas entrecruzadas na carreira de D. Luís de Ataíde (1516-1581), dissertação de doutoramento policopiada, Lisboa, FCSH-UNL, 2013.